17/04/2018

Missionários se arriscam para resgatar meninas da prostituição na Índia

Na Índia há uma região conhecida como “Red Light”, onde mulheres se oferecem para a prostituição. Mas, não apenas adultas, crianças também estão presas no local e podem ser prostituídas forçadamente. Um projeto missionário atua há mais de 20 anos na região para resgatar essas meninas.

Quem viu de perto esse cenário foi o fotógrafo Jean Assis, que se dedica a profissão desde 1999. Conhecido em Belo Horizonte por seus trabalhos de excelência, ele foi convidado pelo pastor Márcio Valadão para liderar a equipe de fotografia da Igreja Batista da Lagoinha. Para Jean, registrar imagens não é apenas um trabalho, mas um ministério. Em entrevista para o Portal Guiame, ele conta sobre um de seus maiores desafios, fotografar na Red Light da Índia.


Jean tinha um objetivo, mostrar a realidade das meninas que foram resgatadas da prostituição e que foram acolhidas pelo projeto Ashastan, iniciativa do Ministério de Louvor diante do Trono para proteger a infância dessas garotas que muitas vezes são vendidas pelos próprios pais.

“Nós fomos em missão fazer fotos do ministério Ashastan, que resgata as meninas da Red Light na Índia. Apesar de não ter virado um livro, as imagens são usadas pelo ministério”. Questionado sobre o cenário que enfrentaram, ele explica melhor como as crianças chegam até a zona de prostituição. Apesar de não serem expostas, elas ficam em uma casa onde empresários podem se aproveitar delas.


“As crianças não chegam a ficar expostas. A Red Light é um conjunto de ruas com várias casinhas e essas casinhas tem mulheres que se vendem como prostitutas, como em outras cidades. Então, você não chega a ver crianças, porém existe um grupo mais poderoso na região onde eles conseguem fingir para os pais que estão ajudando as crianças, levando elas para o ambiente onde teriam comida, moradia, cama, condição de sobrevivência”, explica.

“Existem casos onde o pai corta os dedos de uma criança para que ela fique mais digna de piedade, para conseguir mais esmolas. Então existe uma maneira de fazer com que aquela criança se sinta educada a ser uma pedinte. A criança começa a entender que aquilo ali é para que ela ganhe mais dinheiro. E ai ela vai ser mais valorizada pelos pais. E ela não se sente mal por ter um dedo amputado. Esses casos são bem distantes da gente, mas não faz com que a gente deixe de se indignar”, comenta.


A compra de crianças
Jean explica que existe a compra de crianças para serem levadas às zonas de prostituição. “Outro caso que acontece também é que uma pessoa poderosa que tem muitas posses vai em uma determinada família com muitos filhos e fica ajudando financeiramente aquela família. Quando o pai não consegue pagar o tanto que deve, o ajudador diz: ‘Olha, vou levar sua filha ou então o seu filho’. Lá também existe a prostituição de meninos”, salienta.
“Então ele pega a criança com o consentimento do pai: ‘Vou levar ela, mas ela vai trabalhar para mim. Eu vou dar cama, casa, comida’. E aquela criança acaba sendo adotada pela região da Red Light por algum cafetão que começa a usar daquela criança”, disse.



Missão de risco
Jean ainda ressalta que sua visita foi sigilosa. “Nós estávamos lá às escondidas. Primeiro fomos visitando as casas do ministério, onde as crianças são protegidas. Elas são retiradas da Red Light e são resgatadas. Muitas vezes estão doentes, então eles conseguem retirar elas para ir ao hospital, ou conseguem tirar sequestrando mesmo. É um ambiente muito perigoso, porque você tem empresários e policiais que estão totalmente corruptos”, alertou.


“Quando a gente foi visitar a região com o pastor que estava comigo, fomos para poder conhecer e encontrar com o pastor que é respeitado na região. Só que quando a gente foi andar com ele, não podiamos registrar nada. Se a gente fotografasse, os policiais em volta, os empresários e cafetões poderiam perguntar o motivo daquelas imagens. A gente correria o risco de pegarem nosso passaporte e não mais voltar para casa. Corríamos o risco deles sumirem com a gente”, ressaltou.



Jean explica que as fotos foram principalmente do ministério Ashastan, que oferece escolaridade para as meninas, atenção, além de cursos que são oferecidos e aulas onde elas moram. “Agora as fotos que a gente queria fazer, as fotos mais pesadas, de alerta para que as pessoas pudessem se conscientizar, a gente fez. Mas eu não e senti que a missão foi cumprida. Eu queria ter tido mais fotos pesadas e eu não consegui”, lamenta.



FONTE: GUIAME, KARLOS AIRES

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